Sempre fui aquela pessoa que apegava-se as dores como quem cuida de um animal doméstico, e quase poderia chamá-las pelo nome devido ao tempo em que passavam comigo. Alimentava-as como quem sabe que se não o fizer, elas padecerão e morrerão. Repetia esse movimento dia após dia. Uma dor aqui, outra ali, e o ciclo recomeçava. Mas, alguma coisa mudou desde o dia em que cheguei em casa e deixei de alimentar uma, depois a outra, e lentamente elas foram perdendo a vida que eu dava, e, finalmente todas elas, principalmente aquelas em que eu tinha um "apreço" maior (essas foram as primeiras) mudaram-se de "casa". Algumas dores ainda existem, porém não doem como antes, e não ficam por muito tempo. Aquele lugar do trono, no mais alto que poderia chegar de mim mesma, não está mais reservado a elas, mas a mim mesma. Tornei-me então rainha de mim, dona do meu nariz e fiel ao que eu sentia. Tornei-me eu mesma, sem por isso, doer tanto. E pude fazer então, das dores que car...